A adoção de IA nas pequenas empresas brasileiras passou de 10% para 15% em um ano. O dado é da 16ª edição da pesquisa TIC Empresas, do Cetic.br, divulgada em junho de 2026, que mede uso de tecnologia nas empresas do país todo ano.
O número cresceu, e mesmo assim ele diz uma coisa incômoda. Oitenta e cinco por cento das pequenas empresas ainda não colocaram inteligência artificial para rodar de verdade na operação.
O que a pesquisa do Cetic.br mostrou?
Mostrou que o uso de IA cresceu em todos os portes, em ritmos bem diferentes. No conjunto das empresas brasileiras, a adoção foi de 13% em 2024 para 17% em 2025. Nas pequenas, que empregam de 10 a 49 pessoas e representam 87% da população pesquisada, foi de 10% para 15%. Nas grandes, saltou de 38% para 50%.
A tabela abaixo resume o movimento de um ano para o outro.
| Porte da empresa | 2024 | 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Pequena, de 10 a 49 pessoas | 10% | 15% | 5 pontos |
| Grande | 38% | 50% | 12 pontos |
| Total das empresas pesquisadas | 13% | 17% | 4 pontos |
Dito de outro jeito, metade das empresas grandes já usa IA de alguma forma. Entre as pequenas, pouco mais de uma em cada sete. A distância entre os dois grupos não diminuiu no período, ela aumentou de 28 para 35 pontos percentuais.
O que muda na prática
A leitura fácil é que a pequena empresa está ficando para trás. A leitura útil é outra. Se 85% ainda não começaram, o concorrente do mesmo porte provavelmente também não começou.
Isso é janela aberta, não desvantagem consolidada. A vantagem de sair na frente nessa fase não é permanente. Quando a maioria chegar lá, deixa de ser diferencial e vira o básico esperado de qualquer empresa do mesmo tamanho.
Existe também um efeito prático de escala. Empresa grande adota IA com time interno de dados e orçamento de projeto. Empresa pequena não tem esse time, e é por isso que a decisão dela precisa ser mais cirúrgica. Um processo escolhido com critério entrega mais que cinco frentes abertas ao mesmo tempo.
Esse encadeamento entre diagnóstico, construção e medição é o que descrevemos no pilar de tecnologia e automação.
Como usamos isso na Blue Labs
Atendemos exatamente esse porte, empresa de 10 a 500 pessoas que não tem time de dados dentro de casa. O caminho que usamos com essa empresa é sempre o mesmo, e ele começa antes de qualquer ferramenta.
Primeiro medimos o processo. Quanto tempo consome por mês, quantas pessoas dependem dele, onde mora o dado que ele usa. O método está em como mapear as rotinas da empresa antes de automatizar e leva cerca de duas horas de conversa por área.
Depois priorizamos com número, não com a rotina que mais incomoda. Retorno dividido por complexidade, conforme como priorizar processos para automatizar. Em empresa pequena isso importa mais ainda, porque não há capacidade para errar o primeiro projeto e esperar o segundo.
E medimos o resultado depois, com o antes registrado. Sem isso, não dá para saber se a adoção virou ganho ou só virou mais uma assinatura, distinção que detalhamos em como medir o uso real da IA na empresa.
Quando isso não vale a pena
Não vale adotar IA por causa de estatística de mercado. Entrar nos 15% não é objetivo de negócio, é consequência de ter resolvido um gargalo que custava dinheiro.
Também não vale para empresa cujo processo ainda não está padronizado. Se três pessoas executam a mesma tarefa de três jeitos, automatizar congela um dos três, e nem sempre o melhor. Padronizar primeiro, mesmo que no papel, custa pouco e evita construir em cima de areia.
E não vale quando o gargalo real é outro. Empresa que perde venda por falta de proposta comercial clara não resolve isso com agente de atendimento. O diagnóstico existe justamente para separar o problema que parece urgente do problema que de fato custa caro.
Perguntas frequentes
O que conta como adoção de IA nessa pesquisa?
A pesquisa TIC Empresas mede uso declarado de soluções de inteligência artificial pela empresa. Vale lembrar que uso declarado e uso efetivo no processo não são a mesma coisa, e essa diferença é o que separa resultado real de assinatura esquecida.
Empresa pequena consegue adotar IA sem time técnico interno?
Consegue, com uma condição. Alguém de dentro precisa ser dono do resultado, mesmo sem ser quem constrói. Projeto sem dono interno costuma parar na primeira troca de prioridade, independente da qualidade de quem construiu.
Por quanto tempo essa janela de vantagem continua aberta?
Não dá para cravar prazo, e quem crava está chutando. O que o próprio dado sugere é direção, cinco pontos percentuais em um ano nas pequenas e doze nas grandes. Enquanto a maioria não entra, quem entrou tem vantagem relativa.
Por onde começar com orçamento curto?
Pelo processo de maior retorno e menor complexidade, que quase sempre é um só. Começar por um, entregar, medir, e só então abrir a próxima frente. Cinco projetos simultâneos com time pequeno viram cinco projetos parados.
Próximo passo
Escolha uma área da sua empresa e marque três conversas de vinte minutos com quem executa as tarefas. Você vai sair com a conta de quanto custa por mês o trabalho repetido daquela área, que é o número que torna a próxima decisão possível.
Se quiser um segundo olhar sobre esses candidatos antes de decidir, fale com a gente no WhatsApp.