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Como escolher o primeiro processo da empresa para automatizar

Um método de seis passos, com duas notas por processo, para sair de uma hora de reunião com o primeiro projeto escolhido e o número do antes já registrado.

Ao final deste artigo você terá uma lista curta de processos da sua empresa, com nota de retorno e de complexidade em cada um, e saberá qual deles automatizar primeiro.

Para fazer isso você precisa de duas coisas. Uma hora de agenda e a possibilidade de perguntar a quem executa o trabalho quanto tempo gasta nele. Não precisa de ferramenta, de consultoria nem de dado histórico organizado.

O método abaixo é o que usamos na primeira etapa dos nossos projetos. Ele existe porque o erro mais caro em automação não é escolher a ferramenta errada. É abrir cinco frentes ao mesmo tempo e terminar o trimestre com cinco coisas pela metade.

Qual processo uma empresa deve automatizar primeiro?

O que tem o maior retorno entre os de menor complexidade. Nessa ordem, e nunca o contrário.

A tentação é começar pelo processo que mais incomoda. Quase sempre é um erro. O processo que mais incomoda costuma ser o mais complexo, o que atravessa mais áreas e o que tem mais exceção. Ele é um ótimo terceiro projeto e um péssimo primeiro.

O primeiro projeto tem uma função extra, que é provar para a empresa que isso funciona. Projeto que demora seis meses não prova nada, porque a prioridade muda antes de ele terminar.

O método em seis passos

Repare, no desenho, que a escolha só acontece no quinto passo. Os quatro primeiros são de levantamento, e são o que a maioria das empresas pula.

Método de seis passos para escolher o primeiro processo a automatizar 1. Listar os candidatos 2. Medir hora e frequência 3. Dar nota de retorno 4. Dar nota de complexidade 5. Cruzar e escolher um 6. Registrar o antes
  1. Liste os processos candidatos, no máximo dez.
  2. Meça cada um em hora gasta e frequência com que acontece.
  3. Dê a cada um uma nota de retorno, de 1 a 5.
  4. Dê a cada um uma nota de complexidade, de 1 a 5.
  5. Cruze as duas notas e escolha um processo só.
  6. Registre o estado atual antes de mexer em qualquer coisa.

Passo 1, listar os candidatos

Peça a cada área duas ou três tarefas que consomem tempo e não exigem julgamento. A pergunta que funciona melhor não é o que você quer automatizar. É o que você faz toda semana e preferia não fazer.

Pare em dez. Lista maior não melhora a decisão e aumenta a chance de ninguém terminar o levantamento.

Passo 2, medir hora e frequência

Para cada item, anote quanto tempo leva uma execução e quantas vezes acontece por mês. Multiplique.

Use a estimativa de quem executa, não a sua. Gestor costuma subestimar tarefa operacional em cerca de metade. Ele lembra do tempo da tarefa e esquece o tempo de preparar, procurar e conferir.

Se quiser medir com mais rigor, o caminho completo está em como mapear rotinas para automatizar.

Passo 3, dar nota de retorno

Retorno aqui não é só hora economizada. São três componentes, e vale pontuar cada um.

  • Tempo. Quantas horas por mês a tarefa consome hoje.
  • Erro. O que acontece quando essa tarefa sai errada, e com que frequência sai.
  • Atraso. O que a empresa perde enquanto a tarefa espera para ser feita.

O terceiro é o mais esquecido e costuma ser o maior. Uma proposta que demora dois dias para sair não custa duas horas de trabalho. Custa a chance de o cliente ter fechado com quem respondeu antes.

Passo 4, dar nota de complexidade

Complexidade também tem três componentes, e nenhum deles é técnico.

  • Sistemas. Quantos sistemas diferentes a tarefa precisa tocar.
  • Áreas. Quantas áreas precisam concordar com a mudança.
  • Exceção. Quantas vezes em dez o processo foge da regra.

A exceção é a variável que mais engana. Processo que foge da regra uma vez em cada três não é processo, é decisão caso a caso disfarçada de rotina. Automatizar isso produz um sistema que erra um terço das vezes. E que precisa de alguém conferindo tudo.

Por que complexidade pesa mais que retorno no primeiro projeto

Porque o primeiro projeto está disputando com a desconfiança, não com outro projeto.

Em empresa que nunca automatizou nada, existe sempre alguém esperando a coisa dar errado para dizer que avisou. Entrega rápida e visível desarma isso. Entrega demorada alimenta.

Já vimos empresa escolher o processo mais complexo como primeiro, acertar a escolha no papel e perder o projeto mesmo assim. O trabalho estava correto. O que faltou foi resultado visível antes de a prioridade da diretoria mudar.

Por isso, em caso de dúvida entre um candidato de retorno 5 e complexidade 4 e outro de retorno 3 e complexidade 1, comece pelo segundo. O primeiro continua lá no mês seguinte, e aí com a empresa inteira a favor.

Passo 5, cruzar e escolher um

Coloque os dez numa tabela com as duas notas e olhe só o quadrante de retorno alto com complexidade baixa.

FaixaO que fazer
Retorno alto, complexidade baixaé o seu primeiro projeto
Retorno alto, complexidade altafica para o terceiro, depois de provar o método
Retorno baixo, complexidade baixaserve de segundo, para manter o ritmo
Retorno baixo, complexidade altanão faça

Se dois processos empatarem, escolha o que tem mais gente envolvida. O ganho é o mesmo e a adesão ao próximo projeto é maior, porque mais pessoas viram funcionar.

Passo 6, registrar o antes

Antes de mexer em qualquer coisa, escreva em algum lugar o tempo atual, a frequência atual e a taxa de erro atual. Com data.

Esse é o passo que parece burocrático e é o que decide se o projeto sobrevive. Sem o estado anterior registrado, a conversa de ampliar vira disputa de opinião. Perde quem não tem número. O método está em como medir o uso real da IA na empresa.

Se depois desse levantamento você quiser ajuda para desenhar o processo novo, a página de tecnologia e automação mostra como entramos nessa etapa.

Um exemplo com números

O exemplo abaixo é ilustrativo, montado com valores redondos para mostrar o cálculo. Não é resultado garantido.

Uma empresa de serviço listou cinco candidatos. Dois se destacaram.

ProcessoHoras por mêsRetornoComplexidade
Montar proposta comercial2442
Fechamento financeiro do mês3255

O fechamento financeiro consome mais horas e seria a escolha natural de quem olha só o tempo. Só que ele toca quatro sistemas. Depende de duas áreas e tem exceção em quase todo mês de virada.

A proposta comercial toca um sistema, depende de uma área e segue a mesma estrutura em oito de cada dez casos. É o primeiro projeto, mesmo valendo menos horas.

Para transformar as horas em valor e montar a conta completa, o caminho está em como calcular o retorno de um projeto de IA.

Como separar processo de decisão

Essa distinção resolve metade das dúvidas na hora de montar a lista.

Processo é o que duas pessoas diferentes fariam do mesmo jeito, seguindo a mesma regra. Decisão é o que depende de contexto, de histórico do cliente ou de julgamento de quem faz.

Boa parte do que a empresa chama de rotina é, na verdade, decisão repetida. O teste é simples. Peça a duas pessoas que executem a mesma tarefa separadamente e compare o resultado. Se saiu diferente, existe julgamento ali, e esse julgamento precisa continuar com uma pessoa.

Isso não elimina o candidato da lista. Normalmente significa que a parte automatizável é o preparo, e não a decisão final.

Erros comuns

  1. Começar pela ferramenta. Escolher o fornecedor antes de escolher o processo inverte a ordem e faz a empresa moldar o trabalho ao produto que comprou.
  2. Escolher o processo que mais dói. Costuma ser o mais complexo. Ele merece ser resolvido, só não primeiro.
  3. Abrir várias frentes. Cinco projetos simultâneos com time enxuto produzem cinco entregas pela metade e nenhuma medição.
  4. Usar a estimativa do gestor. Quem não executa a tarefa subestima o tempo dela, e a nota de retorno sai errada por causa disso.
  5. Pular o registro do antes. Sem ele não existe prova do depois, e o projeto bom fica sem argumento na hora de ampliar.
  6. Automatizar o que vai morrer. Verifique se o processo ainda vai existir daqui a um ano antes de investir nele.

Perguntas frequentes

Quantos processos devo listar no começo?

Até dez, e não mais que isso. Lista maior consome o tempo do levantamento sem melhorar a escolha. Os candidatos do fim da lista quase nunca ganham.

Preciso de dado histórico para dar as notas?

Não precisa. A estimativa de quem executa a tarefa é suficiente para ordenar candidatos. Dado preciso é necessário depois, na hora de provar o resultado, não na hora de escolher.

E se a empresa inteira só tiver processos complexos?

Então quebre um deles em pedaços e automatize um pedaço. Quase todo processo complexo tem uma etapa isolada, repetitiva e com pouca exceção. Essa etapa serve de primeiro projeto.

Quanto tempo esse levantamento deve levar?

Algumas conversas por área costumam bastar em empresa pequena. Se passar de um mês, a análise virou o próprio gargalo e vai entregar documento em vez de decisão.

Vale automatizar algo que uma pessoa só faz?

Vale quando essa pessoa é ponto único de falha. Tarefa que só uma pessoa sabe fazer tem risco escondido. Nesse caso o ganho principal não é tempo. É a empresa deixar de depender de uma agenda.

A tarefa desta semana

Reserve uma hora, chame duas pessoas de áreas diferentes e peça a cada uma três tarefas que ela faz toda semana e preferia não fazer.

Anote tempo e frequência de cada uma. Dê as duas notas e veja o que sobra no quadrante de retorno alto com complexidade baixa. Em uma hora você sai com o primeiro projeto escolhido e com o número do antes registrado.

Se preferir fazer esse levantamento com alguém de fora puxando as perguntas, fale com o time da Blue Labs no WhatsApp.